O Instituto Acredite acolhe pessoas, casais e famílias com escuta terapêutica séria, fundamentada na Terapia Sistêmica. Muito do que você sente ganha outro sentido quando olhamos também para as relações que você carrega.
Marcelo e Luciana no consultório do Instituto Acredite — Méier, Rio de Janeiro
O Instituto Acredite nasceu do encontro entre Marcelo e Luciana, um casal de cofundadores unidos pela convicção de que o sofrimento raramente é só individual: ele carrega a marca das relações em que fomos formados, das famílias que construímos e dos vínculos que sustentamos hoje. Juntos, somam mais de 20 anos de experiência no acompanhamento terapêutico de famílias e casais. Trabalhamos a partir da Terapia Sistêmica, uma abordagem que olha para a pessoa em contexto — considerando como padrões de comunicação, papéis familiares e histórias atravessadas por gerações influenciam o que sentimos e repetimos. Isso não significa procurar um culpado. Significa entender o sistema para que a mudança tenha onde se sustentar.
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Quem é Marcelo
Cofundador do Instituto AcrediteTerapeuta SistêmicoPsicanalista ClínicoTerapeuta ABA de AutismoEspecialista em Liderança e Gestão"Acredito que boa parte do que vivemos como sofrimento individual só faz sentido completo quando olhamos para as relações que nos formaram."
Minha formação passa por Direito e Teologia, uma pós-graduação em Terapia Sistêmica e especializações em Liderança e Gestão.
Escuta, mediação e cuidado são ferramentas que aprendi em contextos diferentes ao longo da vida, e que hoje coloco a serviço da mesma pessoa: quem está à minha frente numa sessão do Instituto Acredite.
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Quem é Luciana
Cofundadora do Instituto AcrediteTerapeuta SistêmicaTerapeuta Cognitivo-Comportamental (TCC)Terapeuta ABA de Autismo"Um casamento ou uma família raramente adoecem do nada. Existe sempre um padrão a entender antes de mudar."
Cofundadora do Instituto Acredite ao lado de Marcelo, dedica sua prática ao acolhimento terapêutico de casais e famílias, com atenção especial aos vínculos que sustentam — ou desgastam — uma relação ao longo do tempo.
Como trabalhamos
Um cuidado sob medida para cada sistema
Nenhuma pessoa, casal ou família chega igual à outra. Por isso, o formato do acompanhamento é definido junto com você, a partir do que a situação pede.
Terapia Individual
Um espaço só seu para organizar pensamentos, emoções e decisões — olhando também para como as relações ao seu redor participam do que você vive.
Terapia de Casal
Para casais que querem entender os padrões que se repetem nas brigas, no silêncio ou na distância, e reconstruir uma forma de se comunicar que sustente os dois.
Terapia Familiar
Quando o sofrimento aparece em um membro da família mas pertence a todos, trabalhamos o sistema inteiro: pais, filhos e os papéis que cada um carrega.
Atendimento Infantil
Acompanhamento terapêutico para crianças a partir de 7 anos com TDAH, TOD (Transtorno Opositor Desafiador) ou TEA (Transtorno do Espectro Autista), com abordagem individualizada para cada fase de desenvolvimento.
Atendimentos presenciais no Méier (Rio de Janeiro) e online para todo o Brasil, conforme a necessidade apresentada e a avaliação profissional de cada caso.
Depoimentos
O que dizem sobre o processo terapêutico
Cada história é única. Os relatos a seguir foram compartilhados por pacientes reais do Instituto Acredite, que autorizaram sua publicação de forma anônima.
Terapia de Casal
"Chegamos à terapia acreditando que nosso problema era apenas a quantidade de discussões. Durante o processo, percebemos que havia questões mais profundas por trás dos conflitos. Aprendemos a conversar de outra maneira e a olhar para nosso casamento com mais compreensão."
A. e R. — CasalTerapia Individual
"Procurei a terapia para resolver uma situação específica, mas acabei entendendo padrões que se repetiam em diferentes áreas da minha vida. Foi um processo profundo de autoconhecimento e uma oportunidade de olhar para minha história de uma maneira diferente."
M. S. — Terapia IndividualTerapia Familiar
"Nossa família estava vivendo uma fase muito difícil e parecia que ninguém conseguia realmente ouvir o outro. O processo nos ajudou a compreender melhor nossas diferenças, melhorar nossa comunicação e reconstruir alguns vínculos que estavam fragilizados."
Família S. — Terapia FamiliarTerapia Individual
"A terapia me ajudou a fazer perguntas que eu nunca tinha feito sobre mim mesmo. Aos poucos, comecei a perceber novas possibilidades para situações que antes pareciam não ter saída. Foi um processo de transformação que aconteceu passo a passo."
C. R. — Terapia IndividualTerapia de Casal
"Aprendemos que muitos dos nossos conflitos não eram apenas sobre aquilo que estava acontecendo naquele momento. Passamos a compreender nossos padrões de comunicação e a assumir responsabilidade pelo que cada um poderia transformar dentro do casamento."
L. e F. — CasalTerapia Familiar
"Foi um processo que nos ensinou a olhar uns para os outros com mais compreensão. Conseguimos conversar sobre assuntos que antes geravam conflitos e começamos a construir uma convivência mais consciente e respeitosa."
Família M. — Terapia Familiar
Cada história é única. Os relatos apresentados correspondem a experiências reais e autorizadas antes da publicação.
Fora do consultório
Palestras, seminários e cursos
Além do atendimento clínico, o Instituto Acredite leva a Terapia Sistêmica para fora do consultório: falas e formações sobre saúde mental, relacionamentos e comunicação familiar, construídas sob medida para cada convite.
Igrejas e comunidades
Palestras e rodas de conversa sobre saúde emocional, casamento e família, com a mesma responsabilidade científica do consultório.
Escolas e famílias
Seminários voltados a pais, educadores e adolescentes, sobre vínculos, comunicação e saúde mental no ambiente escolar.
Empresas e equipes
Cursos e formações sobre comunicação, relações de equipe e saúde mental no trabalho, a partir do olhar sistêmico.
Cada palestra, seminário ou curso é desenhado sob medida para o grupo e o tempo disponível. Escreva contando sobre o seu grupo e montamos uma proposta.
Blog
Terapia Sistêmica em pauta
Textos pesquisados a partir de literatura científica e dos principais nomes da Terapia Sistêmica, escritos e revisados por Marcelo e Luciana. Nenhum artigo diagnostica quem lê: eles existem para acolher e informar, nunca para substituir uma avaliação individual.
Todo artigo publicado aqui passa por revisão de Marcelo ou Luciana antes de ir ao ar — nenhum texto é publicado de forma automática.
Ansiedade
Ansiedade: o que ela diz sobre o seu sistema, não sobre o seu caráter
Publicado em 16 de setembro de 2026 · 8 min de leitura · por Instituto Acredite
Um levantamento recente com cerca de 40 mil pessoas em atendimento psicológico no Brasil mostrou que ansiedade é, disparado, o tema mais procurado em terapia: apareceu em mais de 26 mil relatos, à frente de estresse e autoestima. Outro estudo, conduzido pela Vhita e divulgado pela CNN Brasil, mostrou que 67% dos brasileiros pretendem investir mais em saúde mental em 2026. Os números confirmam o que já ouvimos toda semana no consultório: a ansiedade virou, de longe, a queixa mais comum da nossa época.
O problema é o que costumamos fazer com essa informação. É comum tratar a ansiedade como um defeito de caráter, uma falha de "força de vontade", algo que a pessoa precisa simplesmente aprender a controlar sozinha. A Terapia Sistêmica propõe outro caminho.
Murray Bowen, um dos nomes fundadores da terapia familiar, descreveu a ansiedade crônica não como um traço individual, mas como o resultado de um desequilíbrio entre duas forças que atravessam qualquer relação: a necessidade de pertencer e a necessidade de ser um indivíduo separado. Quando esse equilíbrio se rompe — dentro de uma família, de um casal ou até de uma equipe de trabalho — a ansiedade tende a circular pelo sistema inteiro, não a ficar contida em uma única pessoa. É esse fenômeno que Bowen chamou de diferenciação do self: a capacidade de manter clareza emocional e pensar com autonomia mesmo dentro de vínculos intensos.
Essa ideia, formulada nos anos 1960, passou décadas sendo mais clínica do que testada. Uma revisão de escopo publicada em 2022, que reuniu 295 estudos sobre diferenciação do self entre 1978 e 2020, encontrou sustentação empírica consistente para duas relações centrais: pessoas com maior diferenciação do self relatam melhor saúde psicológica, e casais com maior diferenciação relatam mais qualidade no relacionamento. Ao mesmo tempo, a revisão é honesta sobre os limites do que já sabemos: a maioria dos estudos usa desenho transversal, o que impede afirmar causa e efeito, e a amostra de pesquisa ainda é concentrada em população branca, heterossexual e americana. Há uma base real, mas ainda em construção — não uma prova definitiva.
Na prática, isso muda a pergunta que fazemos em terapia. Em vez de perguntar só "por que eu sou assim", passamos a perguntar também "em que relações essa ansiedade nasceu, e onde ela continua circulando hoje". Às vezes a resposta envolve a família de origem. Às vezes envolve o casamento atual. Às vezes envolve os dois.
Vale uma ressalva importante: ansiedade tem causas biológicas, contextuais e clínicas que vão muito além da dinâmica relacional, e nada neste texto substitui uma avaliação individual feita por um profissional. O olhar sistêmico não é a explicação única para a ansiedade de ninguém — é uma lente a mais, que ajuda a enxergar o que uma conversa isolada às vezes deixa escapar.
Se você reconhece essa ansiedade circulando na sua família ou no seu relacionamento, esse é exatamente o tipo de conversa que cabe em uma sessão no Instituto Acredite, seja individual, de casal ou familiar.
O padrão que está desgastando seu casamento (e como quebrá-lo)
Publicado em 16 de setembro de 2026 · 7 min de leitura · por Instituto Acredite
Existe uma cena que se repete em consultórios de terapia de casal no mundo inteiro. Um dos dois cobra, insiste, tenta puxar uma conversa difícil. O outro recua, evita, muda de assunto ou simplesmente sai da sala. Quanto mais um cobra, mais o outro se afasta; quanto mais o outro se afasta, mais o primeiro cobra. Os pesquisadores chamam isso de padrão demanda-afastamento (demand-withdraw), e uma meta-análise conduzida por Paul Schrodt, da Texas Christian University, reuniu 74 estudos e mais de 14 mil participantes para medir o tamanho do estrago que esse ciclo causa.
O resultado foi consistente: casais presos nesse padrão relatam menor satisfação no relacionamento, menos intimidade e comunicação pior, com reflexos que vão de ansiedade a agressividade e até sintomas físicos. Um dado chamou atenção dos próprios pesquisadores: embora seja mais comum a esposa cobrar e o marido se afastar, quando os papéis se invertem o dano ao relacionamento é igualmente sério. O problema nunca foi quem assume qual papel. O problema é o padrão em si.
Essa é, no fundo, uma ideia genuinamente sistêmica. Gregory Bateson, um dos pensadores que fundaram o olhar sistêmico sobre a comunicação humana, defendia que faz pouco sentido perguntar "quem começou" uma briga de casal: cada gesto de um parceiro é, ao mesmo tempo, resposta ao gesto anterior do outro e estímulo para o próximo. É um círculo, não uma linha reta com um culpado no início. Virginia Satir, outro nome central da terapia familiar, descreveu posturas de comunicação que as pessoas assumem sob estresse — como culpar, apaziguar ou desviar do assunto — que se encaixam quase perfeitamente no padrão que a ciência viria a medir décadas depois.
Vale o mesmo cuidado do artigo anterior: as ideias de Bateson e Satir são lentes clínicas consolidadas, não substitutas da pesquisa empírica — mas ajudam a dar nome ao que a meta-análise mediu em números.
Por que o padrão é tão difícil de quebrar sozinho? Porque cada parceiro está convencido de que o comportamento do outro é a causa do próprio comportamento. "Eu só cobro porque ele se afasta." "Eu só me afasto porque ela cobra demais." Os dois estão certos e, ao mesmo tempo, presos: ninguém quer dar o primeiro passo para sair de um ciclo que acredita ter sido causado pelo outro.
É exatamente aí que entra uma terceira pessoa treinada para enxergar o padrão de fora. Na Terapia de Casal, o trabalho não é decidir quem tem razão na última discussão. É ajudar os dois a reconhecer o ciclo enquanto ele acontece, e construir, juntos, uma saída que nenhum dos dois vê enquanto está dentro dele.
Publicado em 16 de setembro de 2026 · 9 min de leitura · por Instituto Acredite
Nos anos 1970, o terapeuta argentino Salvador Minuchin começou a atender famílias em que um dos filhos vivia um quadro grave de anorexia. Em vez de tratar apenas a adolescente individualmente, Minuchin sentava a família inteira à mesa — literalmente — e observava como pais e filhos se organizavam em torno da comida, do controle e do afeto. Ele descreveu esses arranjos como "famílias psicossomáticas": sistemas em que o sintoma de um filho cumpre uma função dentro da dinâmica de todos. Foi um dos primeiros trabalhos a defender, com seriedade clínica, que a família pode ser parte da solução — não apenas o pano de fundo do problema.
Essa tradição amadureceu. Décadas depois, pesquisadores do Maudsley Hospital, em Londres, desenvolveram um protocolo estruturado para tratar anorexia em adolescentes, conhecido como Maudsley Family-Based Treatment (FBT). A lógica herda a intuição estrutural de Minuchin, mas em formato testado: os pais assumem, por um tempo, a responsabilidade ativa pela realimentação do filho — como uma "equipe de cuidado em casa" — antes de devolver gradualmente essa autonomia ao adolescente. Quatro ensaios clínicos randomizados sustentam esse protocolo. No estudo original, 90% dos pacientes atingiram peso normal ou retorno da menstruação ao final do tratamento, resultado mantido após cinco anos de acompanhamento. Estudos mais recentes, com adaptações do protocolo, mostraram entre 70% e 80% de recuperação do peso-alvo.
É importante não generalizar demais esse sucesso. A evidência mais forte da terapia familiar está concentrada em quadros específicos, como a anorexia adolescente. Em outras condições, o quadro é mais misto: uma meta-análise de 2023 sobre terapia familiar para depressão em crianças e adolescentes, reunindo 12 ensaios clínicos, encontrou resultados favoráveis ao tratamento mas sem significância estatística consistente, e uma revisão de 2025 publicada no Journal of Family Therapy descreve uma base de evidências heterogênea: forte para alguns quadros, ainda insuficiente para outros. A honestidade científica importa mais do que a promessa fácil.
O que essas pesquisas confirmam, de forma mais ampla, é a intuição que Minuchin teve há cinquenta anos: em muitos quadros — principalmente os que afetam crianças e adolescentes — tratar só o indivíduo ignora metade da equação. A família não entra na terapia para ser investigada como culpada. Ela entra como recurso, porque geralmente é quem vai sustentar a mudança depois que a sessão termina.
No Instituto Acredite, a decisão de incluir a família no cuidado depende sempre do que a situação pede, nunca de uma fórmula fixa. Cada caso é avaliado antes de decidirmos, juntos, o melhor formato de acompanhamento.
Burnout parental: o esgotamento que também fala sobre a estrutura da família
Publicado em 17 de setembro de 2026 · 6 min de leitura · por Instituto Acredite
Em 2024, uma pesquisa de mercado brasileira repercutiu bastante: segundo ela, 9 em cada 10 mães no país conviveriam com burnout parental. O número é impactante, mas vale uma pausa antes de tomá-lo como retrato da realidade — porque quando a ciência mede o mesmo fenômeno com instrumentos validados, o quadro muda bastante, e é exatamente essa diferença que ajuda a entender do que estamos falando.
O estudo mais robusto já feito sobre o tema é o "Parental Burnout Around the Globe", conduzido por Isabelle Roskam, Moïra Mikolajczak e mais de 80 pesquisadores em 42 países, incluindo equipes brasileiras, com quase 17.400 pais. Usando o mesmo instrumento validado em todos os lugares, os pesquisadores encontraram algo notável: a prevalência de burnout parental varia enormemente entre países — e o Brasil, com cerca de 1,3% dos pais atingindo o ponto de corte clínico, ficou entre as taxas mais baixas do levantamento, bem abaixo de países como Bélgica e Estados Unidos. O fator que melhor explicava essa diferença não foi renda, número de filhos ou horas dedicadas a eles: foi o grau de individualismo cultural. Em culturas mais coletivistas, com redes de apoio familiar mais presentes, o esgotamento tende a ser menos frequente.
Esse achado conversa diretamente com uma ideia central de Salvador Minuchin, um dos fundadores da terapia familiar estrutural. Minuchin descrevia a família como um sistema organizado em subsistemas — o casal, os pais, os filhos — separados por fronteiras que podem ser mais rígidas, mais claras ou mais difusas. Quando a fronteira ao redor do subsistema parental se dissolve — sem parceiro, rede familiar, comunidade ou tempo protegido para a própria vida do adulto —, tudo o que exige cuidado passa a recair sobre uma só pessoa, sem alívio. Na leitura estrutural, o esgotamento não nasce só de dentro do indivíduo: nasce também de uma estrutura ao redor dele que não está sustentando o peso.
Vale registrar os limites dessa comparação: a pesquisa de mercado citada no início não seguiu o mesmo rigor metodológico do estudo científico, então os números não são diretamente comparáveis — e mesmo entre estudos acadêmicos, uma revisão de escopo brasileira publicada na Revista Brasileira de Enfermagem encontrou prevalências que vão de 0,2% a 20%, dependendo de como cada pesquisa mediu o problema. Isso não invalida o sofrimento de quem vive essa exaustão; apenas mostra que ainda não existe um número único e definitivo sobre "quantos pais" passam por isso.
O que a literatura científica converge em apontar, isso sim, são os fatores de risco e proteção. Uma revisão sistemática publicada em 2024 identificou que sobrecarga de papéis, poucas horas de sono, conflito conjugal e falta de rede de apoio aumentam o risco; já suporte do parceiro, acordo sobre divisão de tarefas e autocompaixão aparecem como fatores protetores. A mesma revisão brasileira encontrou que a psicoterapia reduz sintomas de burnout parental e diminui comportamentos de negligência associados a ele.
Se você reconhece esse cansaço, a pergunta mais útil talvez não seja "o que há de errado comigo", mas "que apoios estão faltando ao meu redor". Isso não é algo que se resolve sozinho, e não precisa ser.
Autoestima: por que ela nasce numa relação, antes de nascer dentro de você
Publicado em 19 de setembro de 2026 · 7 min de leitura · por Instituto Acredite
Um levantamento recente com cerca de 40 mil pessoas em atendimento psicológico no Brasil mostrou que a autoestima aparece logo atrás de ansiedade e estresse entre os temas mais levados ao consultório. É uma queixa que costuma vir disfarçada de outras coisas: "eu não confio em mim", "eu sempre acho que não sou boa o suficiente", "eu não sei dizer não". E quase sempre a explicação que a pessoa já traz pronta é sobre si mesma: "eu sou assim", "eu nunca tive confiança". A Terapia Sistêmica propõe olhar um passo antes disso.
Virginia Satir, uma das fundadoras da terapia familiar, colocou a autoestima no centro do seu modelo décadas antes de a psicologia acadêmica se interessar seriamente pelo tema. Para ela, a autoestima não nasce de dentro para fora: nasce primeiro na relação, no olhar de aprovação recebido dentro da própria família, e só depois se internaliza como algo que a pessoa passa a carregar sozinha. Famílias que ela chamava de nutridoras, com comunicação aberta e regras flexíveis, tendiam a formar filhos com autoestima mais alta. Famílias conflituosas, com regras rígidas e comunicação indireta, tendiam ao oposto. Era uma intuição clínica poderosa, mas, como boa parte do trabalho pioneiro da terapia familiar, passou décadas sem ser testada com o rigor que a ciência exige hoje.
Isso mudou. Em 2019, os pesquisadores Martin Pinquart e Dana-Christina Gerke publicaram uma meta-análise reunindo 116 estudos e mais de 53 mil participantes sobre a relação entre estilo parental e autoestima de crianças e adolescentes. O resultado confirma, com números, o que Satir já observava na clínica: a criação com afeto e limites claros, o que a pesquisa chama de parentalidade autoritativa, se associa positivamente à autoestima (r = 0,26), enquanto criações rígidas demais ou negligentes se associam a autoestima mais baixa (r = -0,18 nos dois casos). A permissividade sem afeto real teve efeito praticamente nulo. Em outras palavras, não é regra por regra nem liberdade por liberdade. É o vínculo afetivo combinado com limite claro que sustenta.
Mas a autoestima não é apenas uma marca deixada pela infância, fixa depois disso. Uma meta-análise de 2018, conduzida por Ulrich Orth e colegas, acompanhou o desenvolvimento da autoestima ao longo de toda a vida, reunindo estudos com participantes de 4 a 94 anos. Os dados mostram que ela cresce na infância, sobe com mais força ao longo da vida adulta, atinge o pico por volta dos 60 anos e só então começa a declinar na velhice. Satir dizia, quase de forma profética, que "a autoestima pode ser remodelada em qualquer idade". A ciência hoje sustenta essa afirmação: o que se formou na infância não é sentença definitiva.
Um estudo publicado em 2023 na British Journal of Psychology ajuda a entender como essa remodelagem acontece dentro das relações presentes, não só nas de origem. Pesquisadores acompanharam crianças chinesas ao longo de vários anos e encontraram algo relevante: o calor percebido dos pais previa mudanças na autoestima da própria criança ao longo do tempo, dentro da mesma pessoa, e não só quando se comparava uma família com a outra. Ou seja, não é apenas "ter pais carinhosos" contra "não ter": é o quanto esse calor varia, momento a momento, dentro daquela relação específica, que se reflete em como a autoestima da criança se move.
Vale uma ressalva que os próprios autores da meta-análise de 2019 fazem questão de registrar: correlação entre estilo parental e autoestima não pode ser lida como prova de que um causa o outro numa única direção. As análises longitudinais mostram evidência também no sentido contrário, ou seja, a autoestima da criança também influencia como os pais passam a educá-la ao longo do tempo. Autoestima e vínculo familiar se afetam mutuamente, numa via de mão dupla, o que é coerente com o próprio olhar sistêmico: raramente existe uma causa única e linear para um fenômeno relacional.
Na prática clínica, isso muda a pergunta que fazemos. Em vez de tratar a autoestima baixa como um defeito de personalidade a ser corrigido isoladamente, olhamos para as relações em que ela circula hoje e para as relações em que ela se formou. Às vezes o trabalho é individual. Às vezes envolve entender um padrão que atravessa gerações da mesma família. Em muitos casos, envolve os dois.
Se você reconhece essa autoestima oscilando na sua história ou nas suas relações mais próximas, essa é uma conversa que cabe bem numa sessão no Instituto Acredite.
Luto: por que "deixar ir" pode não ser a meta certa
Publicado em 19 de setembro de 2026 · 7 min de leitura · por Instituto Acredite
Em 2022, pela primeira vez, o luto ganhou um diagnóstico oficial nos principais manuais de psiquiatria: o "transtorno do luto prolongado" entrou no DSM-5-TR e, quase junto, na CID-11 da Organização Mundial da Saúde. A notícia pode assustar quem está enlutado: será que sofrer a perda de alguém virou "doença"? A resposta é não — e entender por que ajuda a tirar um peso de cima de quem atravessa esse momento.
Um estudo de 2024 que comparou os critérios das duas classificações encontrou que apenas entre 4,7% e 6,8% das pessoas enlutadas preenchem os critérios do transtorno; a imensa maioria atravessa a dor, por mais intensa, sem desenvolver um quadro clínico. O diagnóstico existe para nomear algo específico: um sofrimento tão intenso que, passado um ano ou mais, a pessoa ainda não consegue voltar a viver — não para rotular a tristeza natural de quem perdeu alguém importante.
Ainda assim, o luto que se prolonga tem consequências reais e mensuráveis, não só emocionais. Um estudo dinamarquês que acompanhou 1.735 pessoas enlutadas por dez anos identificou que cerca de 6% delas seguiam uma trajetória de "alto luto", com sintomas intensos que não diminuíam com o tempo. Esse grupo teve quase 90% mais risco de morrer ao longo da década, além de recorrer muito mais a antidepressivos e a serviços de saúde mental. O luto sem caminho de elaboração pesa no corpo, não apenas na mente.
Por muito tempo, a psicologia ensinou que "elaborar o luto" era sinônimo de deixar ir: romper o vínculo, virar a página. A pesquisa mais recente revisa essa ideia. A teoria dos vínculos contínuos, formulada por Dennis Klass, Phyllis Silverman e Steven Nickman, propõe que manter uma conexão duradoura com quem morreu — guardar sua voz interna, carregar seus valores adiante — é parte normal, e muitas vezes saudável, do luto, não sinal de que a pessoa "não superou" a perda.
Décadas antes dessa pesquisa amadurecer, o terapeuta australiano Michael White, um dos fundadores da terapia narrativa ao lado de David Epston, já ia na mesma direção. Em 1988, White descreveu as "conversas de re-associação": em vez de ajudar a pessoa a se despedir de quem morreu, ele a convidava a reorganizar essa relação dentro da própria identidade, perguntando o que aquela pessoa contribuiu para sua vida — e o que ela contribuiu para a vida de quem se foi. A vida, para White, funciona como um "clube de membros": alguns vínculos podem ser revistos, mas nem sempre precisam ser encerrados.
Vale registrar os limites dessa evidência. Uma revisão sistemática de 2023 mostra resultados mistos, não uma vitória simples do "manter vínculo": vínculos internos, como lembranças e diálogos em pensamento, tendem a ajudar mais do que manifestações externas persistentes, e o mesmo tipo de vínculo pode ajudar em uma cultura e atrapalhar em outra. Luto não é doença, tem seu próprio tempo, e nada neste texto diagnostica quem lê — cada perda é única e merece ser respeitada no seu próprio ritmo.
Quando o sofrimento trava a vida por muito tempo, buscar ajuda profissional faz diferença mensurável: um ensaio clínico encontrou taxa de resposta de 51% com uma terapia voltada especificamente ao luto complicado, contra 28% com psicoterapia interpessoal padrão. Se esse é o seu momento, uma conversa no Instituto Acredite pode ajudar a encontrar, com calma, a forma de carregar essa perda que faz sentido para você.
Escreva para o Instituto Acredite. Respondemos para entender sua situação e indicar o melhor formato de acompanhamento — individual, de casal ou familiar.